Estudos e artigos
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KAELBER, Walter O. (1976). "“Tapas”, Birth, and Spiritual Rebirth in the Veda". History of Religions, 15(4), 343-386. DOI: 10.1086/462750. https://www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.1086/462750
No livro: p. 35 ("o verbo tap significa aquecer, irradiar calor, brilhar")
Estudo sobre tapas nos Vedas: cobre a etimologia da raiz tap (aquecer, irradiar) e a cadeia de sentidos que liga o calor natural da incubação e do nascimento ao calor voluntário do ascetismo, como no livro. Complemento: verbete tap/tapas no dicionário de Monier-Williams (1899), aberto no Cologne Digital Sanskrit Dictionaries, https://www.sanskrit-lexicon.uni-koeln.de/
Livros
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PFITZNER, Victor C. (1967). Paul and the Agon Motif: Traditional Athletic Imagery in the Pauline Literature. Brill (Novum Testamentum, Supplements 16). https://brill.com/display/title/359
No livro: p. 35 ("a expressão athletae Dei [atletas de Deus] tornou-se comum nesse período")
Monografia sobre a imagem atlética nas cartas de Paulo e sua herança no cristianismo primitivo, pano de fundo da linguagem de "atletas de Deus" e do treino espiritual dos ascetas do deserto.
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ASSUNÇÃO, Matthias Röhrig (2005). Capoeira: The History of an Afro-Brazilian Martial Art. Routledge. https://www.routledge.com/Capoeira-The-History-of-an-Afro-Brazilian-Martial-Art/Assuncao/p/book/9780714680866
No livro: p. 38 ("Nascida entre escravizados que precisavam disfarçar luta em dança")
Uma das histórias acadêmicas da capoeira. A narrativa da luta disfarçada em dança é tradição oral forte e corrente. Assunção revisa as evidências documentais das origens afro-atlânticas e urbanas da prática.
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STEVENS, John (1988). The Marathon Monks of Mount Hiei. Shambhala. Fotografias de Tadashi Namba.
No livro: p. 39 ("The Marathon Monks of Mount Hiei [Os monges maratonistas do monte Hiei], livro de John Stevens")
Stevens viveu 35 anos no Japão como professor de estudos budistas (Universidade Tohoku Fukushi, Sendai). Estão lá o dōiri de nove dias sem comida, água, sono ou repouso, a caminhada noturna até o poço para a oferta de água a Fudō Myōō e os percursos de sessenta quilômetros diários do sexto ano.
Fontes primárias e textos clássicos
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Upanishads (Índia, as mais antigas entre os séculos VIII e III a.C.). Tradução de referência: Patrick Olivelle, Upanisads, Oxford World's Classics, 1996.
No livro: p. 35 ("a prática de tapas se torna uma espécie de incubadora do conhecimento")
A imagem védica e dos upanishads da incubação pelo calor (o ovo chocado, o embrião amadurecido) é mapeada verso a verso por Kaelber (1976).
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Apophthegmata Patrum (Ditos dos Padres e Madres do Deserto, Egito e Síria, séculos IV-V). Tradução de referência: Benedicta Ward, The Sayings of the Desert Fathers: The Alphabetical Collection, Cistercian Publications, 1975. https://litpress.org/Products/CS059/The-Sayings-of-the-Desert-Fathers
No livro: p. 35 ("os relatos dos chamados Padres e Madres do deserto, no Egito e na Síria")
Coletânea clássica dos ditos dos primeiros eremitas, incluindo as madres (ammas) Sara, Sinclética e Teodora. Mostra os jejuns, as vigílias, o sono no chão e também a crítica interna aos excessos e à ascese exibicionista, tema que o capítulo retoma na p. 36.
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EVÁGRIO PÔNTICO (século IV). De oratione [Sobre a oração], texto 92. Traduções de referência: The Philokalia, vol. 1, trad. G. E. H. Palmer, Philip Sherrard e Kallistos Ware, Faber and Faber, 1979; Robert E. Sinkewicz, Evagrius of Pontus: The Greek Ascetic Corpus, Oxford University Press, 2003. Versão aberta em inglês: https://orthodoxchurchfathers.com/fathers/philokalia/evagrios-the-solitary-on-prayer-one-hundred-and-fifty-three-texts.html
No livro: p. 40 ("resistir à ansiedade mesmo quando uma espada estiver apontada para você")
as duas citações vêm do mesmo aforismo que é o texto 92 do De oratione, que manda a pessoa em oração preparar-se "como um atleta experiente" (algumas traduções falam em "lutador") e não se abalar nem diante de uma espada desembainhada contra ele. Sobre a austeridade "para ser vista" (p. 40), o tema é a vanglória (kenodoxia), um dos oito logismoi (pensamentos) de Evágrio, descrito no Praktikos 13.
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BÍBLIA. Cartas paulinas: 2 Timóteo 4,7; 1 Timóteo 6,12; 1 Coríntios 9,24-27 (século I).
No livro: p. 36 ("Ambos falam de “combater o bom combate”")
A fórmula literal é de São Paulo: "combati o bom combate" (2 Timóteo 4,7) e "combate o bom combate da fé" (1 Timóteo 6,12); a linguagem do estádio, da corrida e do lutador está em 1 Coríntios 9,24-27. Em São João Clímaco o vocabulário agonístico também é constante.
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JOÃO CLÍMACO (século VII). Scala Paradisi [A Escada do Paraíso]. Tradução de referência: John Climacus: The Ladder of Divine Ascent, trad. Colm Luibheid e Norman Russell, Paulist Press (Classics of Western Spirituality), 1982.
No livro: p. 36 ("De São Paulo no século i a São João Clímaco no século vii")
Manual ascético escrito no Sinai e organizado em trinta degraus de ascensão, obra que fundamenta o ícone da Escada da Subida Divina. Trata o monge como atleta e lutador em treino contra os hábitos, o "combate" que o capítulo descreve.
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PATANJALI. Yoga Sutras (Índia, compilados nos primeiros séculos da era comum). Tradução de referência: Edwin F. Bryant, The Yoga Sutras of Patañjali, North Point Press, 2009. Em português, aberta: Lilian Cristina Gulmini, O yogasutra, de Patañjali (tradução e análise), dissertação de mestrado, USP, 2002, https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8139/tde-03122003-163103/pt-br.php
No livro: p. 40 ("Patanjali, que é visto por muitos como o pai da ioga, ao falar de tapas")
Tapas aparece nos Yoga Sutras como parte do kriya yoga (2.1) e das observâncias (niyamas, 2.32); o aforismo 2.43 diz que do tapas vêm a purificação e o aperfeiçoamento do corpo e dos sentidos.
Reportagens, relatórios e dados
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ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA (verbete). "Fudō Myō-ō". https://www.britannica.com/topic/Fudo-Myo-o
No livro: p. 34 ("uma estátua de Fudō Myōō ( 不動明王), a divindade irada")
Verbete de referência: Fudō Myōō, forma feroz do buda Vairocana e principal dos Myō-ō (reis da sabedoria), central no budismo Tendai. A aparência irada existe para destruir a ignorância e as paixões, compaixão que queima como fogo (ou corta como espada).
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ENRYAKU-JI (site oficial da sede da escola Tendai). "Training". https://www.hieizan.or.jp/about/training.html
No livro: p. 34 ("Esse período se chama dōiri (堂入り). Dura nove dias.")
Página oficial sobre as práticas do monte Hiei; o dōiri acontece no Myōō-dō do Mudō-ji, o "templo Myōō-dō" da cena de abertura, dentro do rito de mil dias (sennichi kaihōgyō).
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ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA (verbetes). "Jainism" e "Parshvanatha". https://www.britannica.com/topic/Jainism e https://www.britannica.com/biography/Parshvanatha
No livro: p. 35 ("uma das religiões mais antigas da Índia, anterior ao budismo e ao hinduísmo")
Os verbetes sustentam a anterioridade em relação ao budismo: Parshvanatha, primeiro mestre jainista com evidência histórica razoável, teria vivido no século VII a.C., antes do Buda. Já o hinduísmo, como síntese clássica, é posterior.
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GOLGULSA (site oficial do templo). "Sunmudo Templestay". https://www.golgulsa.com/en/golgulsasunmudotemplestay
No livro: p. 37 ("No templo de Golgulsa, monges e leigos praticam sequências de chutes, saltos")
site oficial do templo em Gyeongju, sede mundial do sunmudo, arte marcial monástica ligada ao Seon (zen coreano); os programas de templestay abertos a leigos combinam meditação, ioga e treino marcial.
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IPHAN (nov. 2014). "Roda de Capoeira é mais novo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade". http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/66/ e UNESCO (2014), "Capoeira circle", Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, https://ich.unesco.org/en/RL/capoeira-circle-00892
No livro: p. 38 ("precisa ouvir o berimbau, sentir o movimento do parceiro")
A roda de capoeira é reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil (2008, Livro das Formas de Expressão) e inscrita na UNESCO em 2014, que a descreve como luta e dança ao mesmo tempo, nascida da resistência à opressão, com a roda, o canto e a comunidade como parte do jogo, elementos que o capítulo destaca.